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Jaru, 21 de abril de 2024

Urutau: conheça a ‘ave fantasma’ que tem o canto ‘apavorante’ e come apenas enquanto voa

Durante a noite, em uma floresta, podem acontecer coisas assustadoras. Uma delas é o canto do urutau, a “ave fantasma” que carregada de superstições relacionadas ao mau agouro ou — de forma completamente oposta — ao amor.

“O canto dele é apavorante. Quem não conhece e está no meio do mato a noite, se borra. É terrível, assustador”, relata o biólogo e médico veterinário, Guilherme Augusto Marietto.

Mas o canto “fantasmagórico” não é o único motivo pelo qual o urutau é conhecido como “ave-fantasma”. Provavelmente muita gente passou por um deles, sem notar. Isso porque a ave tem uma especialidade: se camuflar em tocos de madeira para evitar predadores.

“Ele usa seu mimetismo para se mostrar. Quanto mais ele se mostra, curiosamente mais camuflado fica. Ele se empoleira em extremidades de tocos de árvores, se ergue e fica paradinho. Pela coloração e a postura ereta, ele segura como se fosse o próprio toco de árvore”, comenta Marietto.

O biólogo conversou com o g1 e contou outras curiosidades sobre a “ave-fantasma”. Confira:

Hábitos alimentares

 

O urutau é uma ave de hábitos estritamente noturnos, principalmente nos dias de lua-cheia. Curiosamente, um dos nomes pelo qual a ave é conhecida é “mãe-da-lua”. O animal é carnívoro e se alimenta de insetos, mas com uma particularidade: só come enquanto voa.

“Ele só come durante voo. Tanto é que ele tem uma boca extremamente larga, então quando ele voa, voa sempre de boca aberta. A boca dele é como se fosse uma rede de pesca. Ele vai voando, os insetos vão batendo na boca dele e ele vai engolindo”, conta Marietto.

Essa característica causa dificuldades para o urutau. Se por algum motivo ele precisa ser mantido em cativeiro, caso sofra algum ferimento, por exemplo, dificilmente sobrevive, já que não consegue se alimentar.

“Pra alimentar esse bicho é que dá problema. Você pode colocar os insetos do lado dele, ele não vai fazer nada. E aí o que acaba acontecendo: em centros de triagem eles precisam fazer uma alimentação forçada e aí você estressa o animal porque ele não é acostumado com manipulação. É muito comum a morte”, relata o médico veterinário.

Urutau é flagrado em creche de Campinas (SP) e se torna inspiração de música — Foto: Reprodução/EPTV

Urutau é flagrado em creche de Campinas (SP) e se torna inspiração de música — Foto: Reprodução/EPTV

Por outro lado, a mesma característica de certa forma “protege” o urutau. Como ele não pode ser criado em cativeiro, não se torna alvo do tráfico de animais, logo é pouco ameaçado. Contra ele há um vilão: o desmatamento.

Habitat e comportamento reprodutivo

 

O urutau é encontrado em praticamente toda a América do Sul, até parte da América Central, na Mata Atlântica, Amazônia e Cerrado. No entanto, segundo Guilherme Marietto, a ave é adaptável: onde há área florestada ela consegue viver, exceto em regiões muito frias.

Outra curiosidade sobre a “ave-fantasma” é que ela é solitária e tem poucos cuidados parentais. Mesmo durante o período reprodutivo, eles não foram famílias e a mãe cuida do bebê apenas enquanto ele “cabe” por perto.

Urutau e filhote se camuflam em tronco de fazenda de Hidrolândia, Goiás — Foto: Gilson Santana/Arquivo pessoal

Urutau e filhote se camuflam em tronco de fazenda de Hidrolândia, Goiás — Foto: Gilson Santana/Arquivo pessoal

“Na reprodução é só mãe e filho, o pai só faz o papel dele e ‘tchau’. Eles não criam família e a mãe nem ensina ele [o filhote] a se alimentar porque ele tem que se virar. A relação parental é assim: ‘desenvolveu, não cabe mais no meu toco? Tchau’. Ela vai embora”, relata Marietto.

Quando nascem, os filhotes de urutau possuem uma penugem branca, mais fácil de ser percebida por predadores. Os tons cinzentos e amarronzados aparecem logo depois, dando a eles a capacidade de se camuflar.

Lendas e superstições

 

O urutau carrega, popularmente, lendas e superstições. Há quem acredite ele carrega um sinal de má sorte.

Algumas lendas sobre o animal contam a história de um bebê que foi abandonado na floresta pela mãe, como forma de proteção contra uma doença que abateu toda a comunidade onde vivia. O canto do urutau seria o choro do bebê pela mãe.

Outras histórias são mais românticas, como a de uma indígena que se apaixonou por um integrante do povo rival. No entanto, para evitar o relacionamento da filha com o inimigo, o pai decidiu matá-lo. Impedida de viver o romance, a jovem fugiu e se transformou em uma ave que chora todos os dias a perda do grande amor.

G1

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