Txai Suruí denuncia criação de gado em cima de cemitério indígena em Rondônia

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Segundo a mãe de Txai e presidente da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, Ivaneide Bandeira, o cemitério para os povos indígenas é um local sagrado e o cenário de destruição encontrado chocou aqueles que vivem terra Uru-Eu-Wau-Wau.

“Estão desmatando, queimando e colocando gado dentro, o que para os indígenas é pisotear a vida dos ancestrais deles. É como se alguém fosse lá no Cemitério dos Inocentes [cemitério histórico de Porto Velho], tocasse fogo em tudo e colocasse boi em cima. Ninguém ia gostar”, comenta.

Após o ocorrido, a Kanindé diz que entrou em contato com a Fundação Nacional do Índio (Funai) para relatar o caso.

O g1 entrou em contato com a Funai para saber se há investigações sobre o caso, mas até a publicação desta reportagem não obteve retorno.

Filha de uma famosa ativista pelos direitos dos indígenas e um cacique, Txai Suruí acompanhou desde cedo a luta dos pais pela proteção da terra onde vivem. A jovem de 24 anos cresceu na reserva 7 de Setembro, em Rondônia, uma área sob ameaça de garimpo ilegal.

Na Conferência da Cúpula do Clima (COP26), diante de líderes mundiais como o premiê britânico, Boris Johnson, e o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, Txai discursou e cobrou participação de indígenas nas decisões da cúpula do clima e lembrou o assassinato do amigo Ai Uru-Eu-Wau-Wau, que lutava contra extração ilegal de madeira na floresta amazônica.

Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau

A TI fica localizada no centro do estado de Rondônia e é habitada por pelo menos nove povos, entre eles os Amondawa, Isolados Bananeira, Isolados do Cautário, Isolados no Igarapé Oriente, Isolados no Igarapé Tiradentes, Juma, Kawahiva Isolado do Rio Muqui, Oro Win e Uru-Eu-Wau-Wau.

Entre os principais riscos estão a exploração de recursos, ameaças de madeireiro e grileiros. Segundo boletim do Instituto Socioambiental (ISA), na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, onde há registros de povos indígenas isolados, em setembro, o monitoramento detectou um aumento de 538% no desmatamento em comparação com o mês anterior.

Ao todo, mais de 83 hectares de terra foram desmatados no mês de setembro. Segundo o estudo, a maior parte do desmatamento acontece no norte da terra indígena.

No boletim consta que, “segundo o Ministério Público Federal (MPF), a TI Uru-Eu-Wau-Wau é o segundo território indígena com mais propriedades e imóveis irregulares cadastrados em sobreposição à Terra Indígena: 805 no total”.

Operação S.O.S Uru

No início deste mês, a Polícia Federal deflagrou uma operação de uma semana na terra indígena Uru-Eu-Wau-Wau. Dois garimpos ilegais foram localizados e inutilizados, duas pessoas foram presas em flagrante por receptação de madeira ilegal e um caminhão carregado de madeira ilegal também foi apreendido.

Fonte: g1,RO