Rondônia supera meta de cadastramento de doadores de medula em 2018, mas resistência de compatíveis preocupa a Fhemeron

Rondônia supera meta de cadastramento de doadores de medula em 2018, mas resistência de compatíveis preocupa a Fhemeron

Devido à miscigenação, como um território povoado por diversas origens, Rondônia é um Estado geneticamente influente na compatibilidade para transplantes de medula óssea. A afirmativa partiu da Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Rondônia (Fhemeron), que superou a meta estadual de cadastramento de doadores em 2018 e possui estoque com mais de oito mil amostras de sangue, que são utilizadas no cruzamento de dados do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome).

Segundo a presidente da Fhemeron, Ana Carolina Gonzaga, devido à realização de campanhas sociais provenientes da própria sociedade, tão quanto provenientes das unidades de homoterapia da capital e interior, a meta estadual repassada pelo Governo Federal para cadastramento de doadores de medula óssea foi atingida antes de terminar o último ano. A inscrição pode ser realizada nos serviços de homoterapia, como também pode ser disponibilizada uma equipe de técnicos para fazer as coletas do HNA, antígeno de compatibilidade, que é utilizado para fazer o cruzamento com os dados sanguíneos do Redome.

“Ultrapassamos a meta em quase duas mil amostras, acima do teto que é 6.090 para Rondônia. Isso aconteceu porque ocorreram várias campanhas de famílias e amigos que se organizaram para ajudar um determinado paciente, como muitos casos de crianças que mobilizaram a cidade inteira”, explicou a assistente social Maria Luíza Pereira. No primeiro momento, é verificado junto aos parentes a compatibilidade com o paciente e, com isso, outras pessoas atuam solidárias com a doação.

Nos últimos anos têm sido atingida a meta em relação à medula óssea. Porém, esta doação é considerada mais criteriosa, com necessidade de maior orientação. “Não é uma brincadeira, eu vou doar uma mostra do meu sangue, mas se no futuro tiver um paciente eu vou ter que aceitar um procedimento comigo, que eu vou me internar, que eu vou tomar anestesia”, declarou Maria Luíza, pois com algumas experiências de compatibilidade encontra-se resistência dos doadores, com medo. Então, a Fhemeron reforça previamente a orientação quanto à metodologia para o transplante.

Procedimento de doação e transplante

Na coleta de sangue, o procedimento é padrão, o doador doa uma bolsa de sangue total, que quando coletada é pesada, rotulada e encaminhada para a sala de fracionamento, onde são separados os hemocomponentes: plasma, plaquetas e hemácias, e retirada uma amostra para exames sorológicos (testes) do sangue coletado. A amostra segue para o laboratório e as bolsas de sangue são liberadas após a negativa dos testes.

O estado de Rondônia não possui centro transplantador, segundo a presidente da Fhemeron, Ana Carolina Gonzaga. Sendo assim, o doador é conduzido ao receptor e, dependendo da patologia do paciente, há duas metodologias praticadas:

Rosângela (à direita), no centro transplantador em Curitiba.

A doação por aférese, onde uma máquina retira apenas as plaquetas do sangue total. O doador deve ter um perfil diferenciado com altura e peso ideais, e veia calibrosa, devido à duração do procedimento em uma hora e meia. “É uma doação mais demorada, mas que beneficia muito mais os pacientes com câncer, hemorragia, os pacientes mais graves que estão fazendo uso de plaquetas são melhor atendidos com a doação de plaqueta por aférese”, explicou a assistente social.

E, para o transplante, segundo a Fhemeron, muitas vezes há necessidade de coleta da própria medula, com infusões de medicações para aumentar a quantidade das células-tronco daquele doador. O procedimento pode durar até cinco dias e, nesse período, o doador deve ficar no centro transplantador, onde são realizados exames para garantir a saúde e impossibilidade de riscos. A partir disso, o doador ideal é eleito com base nos exames e submetido ao transplante no centro cirúrgico, onde recebe anestesia raquidiana e passa pela coleta da medula óssea com pulsões realizadas por um médico hematologista.

Transplante de sucesso

Em Maio de 2018, o Redome entrou em contato com a dona de casa Rosângela Mendes, de 33 anos, para informar que ela estava sendo contemplada com a possibilidade de doação da medula óssea. Rosângela se cadastrou como doadora em 2008, e dez anos depois, quando recebeu a primeira ligação, não acreditou e recusou as ligações e mensagens, pensando ter passado por um trote.

“Pensei que era trote, insistiram na ligação, mandaram mensagem, e resolvi retornar, me informaram que tinha uma pessoa compatível comigo, perguntaram se eu aceitava e eu disse que sim”, afirmou Rosângela Mendes.

A dona de casa porto-velhense passou pelos procedimentos padrões, onde foi realizada uma segunda coleta de sangue na Fhemeron para confirmação da compatibilidade, e 30 dias depois, Rosângela foi conduzida a Curitiba para realização de exames específicos laboratoriais. Em 19 de Julho de 2018, saiu de porto velho e retornou a Curitiba e, no dia seguinte, passou pela coleta cirúrgica, por pulsão da medula óssea.

A doação foi feita para um bebê de um ano e meio, diagnosticado com leucemia. Rosângela não teve a oportunidade de conhecer o jovem paciente, mas emocionada contou ter vivido uma das maiores experiências de sua vida. “Hoje eu falo que eu tenho dois filhos, pelo fato de eu salvar a vida dele em uma oportunidade única”.

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