Marcola ficará em cela de 12 m² e terá direito a 2 visitas por semana em presídio de Rondônia

Marcola ficará em cela de 12 m² e terá direito a 2 visitas por semana em presídio de Rondônia
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A Justiça Federal determinou que Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, tenha direito a duas visitas semanais na Penitenciária Federal de Porto Velho. O chefe da maior facção de São Paulo chegou à capital de Rondônia na quarta-feira (13), após a descoberta de um plano de fuga de presídios paulistas envolvendo Marcola e o grupo criminoso.

Na decisão, a que o G1 teve acesso, o juiz federal da 3ª Vara, Walisson Gonçalves da Cunha, também determina que Marcola tome banho de sol apenas no solário anexado à própria cela, visto que ele deve ficar, durante 60 dias, no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

A cela do RDD onde Marcola ficará preso nestes dois primeiros meses tem cerca de 12 m², com cama, mesinha, banco e prateleiras, lavatório e vaso sanitário. Após 60 dias, o líder da facção vai pra uma cela menor, com 7 m², e o banho de sol passa a ser coletivo.

Segundo o juiz federal, as duas visitas semanais de Marcola não podem ultrapassar o prazo de duas horas. Não será permitido contato físico com o visitante, sendo a visita apenas através do parlatório na unidade. Visitas de crianças estão proibidas.

A GloboNews revelou na quarta-feira que esta é a 9ª vez de Marcola no RDD, porém é a primeira fora de São Paulo. As regras do RDD foram endurecidas ainda mais pela Portaria nº 157, publicada no mesmo dia da transferência de Marcos Camacho para Rondônia.

A penitenciária federal onde Marcola está preso fica em uma área isolada na zona rural de Porto Velho. Não há residências nas proximidades e o presídio fica a poucos quilômetros do rio Madeira.

Membros do Exército em frente ao Presídio Federal de Porto Velho.  — Foto: Pedro Bentes/G1

Membros do Exército em frente ao Presídio Federal de Porto Velho. — Foto: Pedro Bentes/G1

Por questão de segurança, nos próximos dias o Exército vai monitorar o tráfego de veículos e pedestres pela BR-364, que passa na frente do presídio. Ninguém é autorizado a permanecer na região sem autorização dos militares ou do Departamento Penitenciário.

Transferência de presos

Além de Marcola, na quarta-feira a Justiça autorizou a transferência de mais 21 presos de São Paulo, todos integrantes da mesma facção. Eles foram distribuídos entre os presídios federais de Porto Velho, Brasília (DF) e Mossoró (RN).

Em Porto Velho, além do chefe Marcola, ficarão outros membros de confiança da facção:

  • Lourinaldo Gomes Flor: Líder da facção. Exerce a função de “Sintonia Geral”. Integrante antigo. Conta com a confiança de Marcola e respeito de outros integrantes.
  • Pedro Luís da Silva: Exerce a função de “Sintonia Final”, após indicação de Marcola.
  • Alessandro Garcia de Jesus Rosa: Líder da facção. Exerce a função de “Sintonia Geral”.
  • Fernando Gonçalves dos Santos: Exerce a função de “Sintonia Final”. Apontado como um dos principais traficantes da baixada santifista.
  • Patric Velinton Salomão: Exerce a função na facção “Sintonia Final da Facção”, após a indicação de Marcola.
  • Lucival de Jesus Feitosa: Exerce a responsabilidade na facção de “Sintonia Final”.

A transferência começou na parte da manhã de quarta-feira e terminou à noite. Após chegar no aeroporto Governador Jorge Teixeira em Porto Velho, Marcola foi levado em helicóptero blindado ao presídio.

Quem é Marcola?

Marcos Willians Herbas Camacho nasceu em 25 de janeiro de 1968 em Osasco. Aos 18 anos foi preso pela primeira vez, em outubro de 1986. De lá para cá, além das transferências para o regime mais duro de cumprimento de pena, ele fugiu cinco vezes da cadeia. Sua última fuga se deu em junho de 1999. Ele foi recapturado 34 dias depois e nunca mais deixou a prisão.

Marcola está condenado a cumprir uma pena total de 330 anos, 6 meses e 24 dias. O prazo termina no dia 1º de novembro do ano de 2318. Ele já cumpriu mais de 11 mil dias de cadeia, o que corresponde a 9,2% do total. Ele tem em sua ficha uma avaliação de conduta “ótima”; 15 vezes “boa”; 3 “regular” e 3 “má”.

Motivos da transferência

Vinte e dois presos foram transferidos de São Paulo nesta quarta. Deste grupo, sete tiveram a transferência definida no ano passado por causa do envolvimento em crimes descobertos na Operação Echelon, como ataques a agentes públicos e assassinatos de rivais.

Na decisão de novembro, o juiz Paulo Sorci, da 5ª Vara das Execuções Criminais de São Paulo, diz que “essas considerações revelam o perfil de alta e incomum periculosidade do detento, situação peculiar que determina a sua remoção para unidade prisional especial, já que inviável sua permanência em presídio comum da rede estadual. Em conclusão, mostra-se imprescindível a inclusão e transferência do requerido para unidade de segurança máxima federal.”

Em junho de 2018, a operação Echelon prendeu 63 integrantes em 14 estados. As investigações começaram a partir de trechos de manuscritos encontrados nos esgotos do presídio. A Polícia Civil identificou sete chefes e confirmou a existência da célula “sintonia de outros estados e países”.

Como foi a transferência de integrantes do PCC a presídios federais — Foto: Juliane Souza/G1

Como foi a transferência de integrantes do PCC a presídios federais — Foto: Juliane Souza/G1

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