Indígenas de Governador Jorge Teixeira têm terras invadidas e são ameaçados – Vídeo

Indígenas de Governador Jorge Teixeira têm terras invadidas e são ameaçados – Vídeo

Vídeos gravados por indígenas na última sexta-feira (11) mostram invasores sendo expulsos de dentro da Terra Indígena (TI) Ure-eu-wau-wau, próximo ao município de Governador Jorge Teixeira (RO). Antes de deixarem o local, os invasores ameaçaram os indígenas destacando que mais pessoas viriam. Os indígenas afirmam que há indícios de regiões já desmatadas.

A coordenadora da organização de defesa étnico ambiental da Kanindé, Ivaneide Bandeira, acompanhou alguns indígenas dentro da região e afirma que os invasores são, possivelmente, grileiros de terra que agora intensificaram as invasões em áreas ambientais protegidas.

Além da ameça ao ecossistema, a invasão também atemoriza povos indígenas que vivem dentro da região. Segundo eles, invasores chegaram a ameaçá-los de morte.

“Eles invadiram logo abaixo da placa da Funai [Fundação Nacional do Índio]. Vendo isso, os indígenas foram detê-los. Eram cerca de 40 invasores. Mas recebemos a informação de que eles retornaram e que na noite do último domingo [13] estavam estourando foguetes e dando tiros. Eles filmaram e mandaram os vídeos para nós”, relata a ambientalista.

Ambientalista e representantes dos povos indígenas se reúnem em Porto Velho — Foto: Pedro Bentes/ G1

Ambientalista e representantes dos povos indígenas se reúnem em Porto Velho — Foto: Pedro Bentes/ G1

Com o objetivo de chamar a atenção do poder público e da sociedade, a ambientalista trouxe a Porto Velho duas lideranças do povo indígena Ure-eu-wau-wau. Juntos, eles pretendem procurar apoio no Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal, Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental (Sedam) e ao departamento de Direitos Humanos do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Em um dos vídeos é possível ouvir um dos invasores afirmando que mais de 200 pessoas virão da próxima vez. Em outro, os indígenas mostram uma área já desmatada, possivelmente pelos invasores, como um sinal de intimidação. Eles temem que, com o retorno, a ameaça já esteja próxima das comunidades.

“Eles derrubaram madeira, fizeram destruição de 25 km dentro da terra indígena. É importante dizer que há muitas aldeias dentro da TI e que eles estão com muito medo. O cacique da aldeia não pôde nos acompanhar até aqui, pois temeu deixar as mulheres e crianças da comunidade sozinhas e serem atacados”, teme a ambientalista.

Segundo Ivaneide Bandeira, o conflito entre os possíveis grileiros e os indígenas é iminente.

“Esse tipo de grilagem perto da aldeia é a primeira vez ao longo da história da TI Ure-eu-wau-wau. Eles já grilavam em vários pontos da unidade, mas próximo deles é a primeira vez. É algo escandaloso”, afirma Ivaneide.

A ambientalista Ivaneide Bandeira e representantes do povo Ure-eu-wau-wau, em Porto Velho. — Foto: Pedro Bentes/G1

A ambientalista Ivaneide Bandeira e representantes do povo Ure-eu-wau-wau, em Porto Velho. — Foto: Pedro Bentes/G1

Por que preservar a TI?

A invasão fica dentro da TI Ure-eu-wau-wau, uma área com mais de 1,8 milhão de hectares no centro do estado de Rondônia.

A unidade de conservação, a maior terra indígena dentro de Rondônia, é rica em biodiversidade e abriga nascentes de importantes rios que cortam o estado. Segundo ambientalistas, a produção de energia através de hidrelétricas poderia ser comprometida, tendo em vista, que o Parque Nacional de Pacaas Novos abriga, por exemplo, a nascente do rio Jamari que abastece a Usina Hidrelétrica de Samuel, em Porto Velho.

Além disso, os ambientalistas acreditam que, caso a invasão se intensifique dentro da região, a agricultura e o próprio agronegócio, motor econômico do estado, poderiam sofrer sérias consequências com a possível falta de água. Outro impacto seria a desestabilização climática na região, importante fator para o cultivo de algumas culturas específicas.

Lideranças da TI Ure-eu-wau-wau na sede da Kanindé, em Porto Velho. — Foto: Pedro Bentes/G1

Lideranças da TI Ure-eu-wau-wau na sede da Kanindé, em Porto Velho. — Foto: Pedro Bentes/G1

Por fim, a própria vida dos indígenas que habitam a região demarcada estaria em risco. Isso porque cerca de dez aldeias, vários povos nômades, além de três povos isolados habitam a região. A sobrevivência desses indígenas é dependente da agricultura, caça e extrativismo restringidos a eles.

Comentários