Idoso faz Enem pela 4ª vez em RO para trabalhar com o filho: ‘Ainda quero ser engenheiro civil’

Idoso faz Enem pela 4ª vez em RO para trabalhar com o filho: ‘Ainda quero ser engenheiro civil’

Encarar os estudos após cerca de 20 anos pelo sonho de ser engenheiro civil e trabalhar com o filho não parece ser uma tarefa difícil para o mecânico João Isaac Souza, de 63 anos. O persistente candidato é um dos quase 62 mil inscritos em Rondônia no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que vão retornar às salas de aula neste domingo (11) para o segundo dia de prova e encarar questões de matemática, física, química e biologia.

Essa é a quarta vez que o idoso enfrenta o exame e, ao G1, afirmou estar preparado. “Estudei muito matemática, essa área das exatas. Ainda quero ser engenheiro civil e trabalhar com meu filho. É meu sonho e eu vou encarar”, disse.

A ansiedade tomou conta do candidato no primeiro dia, principalmente por causa da redação. A maior dificuldade foi com a quantidade de textos que embasaram as questões objetivas. “Sentia que não ia dar tempo, pois era muito texto. Vamos ver como vai ser”, comentou esperançoso.

Para a segunda fase, disse estar mais relaxado. “Já sei como é, então vou tentar me manter tranquilo. É preciso, né?”.

Apostilas, vídeos e livros

Nos dois primeiros anos que fez a prova, João explica que foram apenas para teste. Como já não estudava há um bom tempo, não se forçou a alcançar o mesmo ritmo pesado de estudos dos mais novos – ou dos que encaram o Enem pela primeira vez. Na quarta vez que faz a prova, a dedicação foi voltada principalmente para a área de exatas.

O idoso, que acorda às 5h, dedicou cerca de duas horas por dia de segunda a quinta-feira apenas ao conteúdo que costuma cair com mais frequência no exame. Apostilas, vídeos, livros e até provas anteriores auxiliaram na tarefa.

Hoje vejo mais vídeos, pois é mais prático. Tenho os cadernos de prova anteriores guardados em uma caixa
— João Isaac

Não satisfeito, João Isaac ainda fez questão de acompanhar o Aulão na Rede, promovido pela Rede Amazônica, para reforçar o conteúdo do exame. “Reforço é sempre bom. Só não pode um dia antes da prova, é claro”, ensinou.

Na ‘porta’ da universidade

Apesar de lutar por engenharia civil, João Isaac se conformaria em cursar matemática. Em 2017, ele alcançou nota suficiente para o curso na Universidade Federal de Rondônia (Unir), porém, perdeu o prazo de registro. “Eu estava viajando e só voltei dia 7 de fevereiro deste ano. As inscrições tinham fechado em 9 de janeiro. Mas tudo bem”, disse.

O objetivo de fazer engenharia é para ajudar e trabalhar com o filho, que é professor de engenharia e arquitetura em uma faculdade em Porto Velho. “É necessário trabalhar com ele”, completa o idoso.

Por parte de mãe, João Isaac é o caçula de quatro irmãos e o único a almejar uma vaga na universidade federal. Ao todo, são 14. Questionado pelos parentes sobre fazer um curso superior na idade que tem, ele não desanima.

“Nenhum irmão meu de mãe é formado. Além disso, me provocam, brincam comigo e não acreditam. Mas sabe de uma coisa? Eu não ligo. Quero aproveitar da forma que ainda posso. Quero estudar, ajudar meu filho e melhorar de vida”, disse o idoso empolgado.

2º DIA DE ENEM

  • 45 questões de ciências da natureza e 45 de matemática.
  • Duração: 5h (30 minutos a mais do que em 2017)

HORÁRIOS DAS PROVAS

  • Abertura dos portões: 12h (horário de Brasília)
  • Fechamento dos portões: 13h (horário de Brasília)
  • Início das provas: 13h30 (horário de Brasília)
  • Encerramento das provas: 18h30 (segundo dia) (horário de Brasília)

PROVA

Para fazer a prova já separe caneta preta de corpo transparente. Leve duas, por garantia. Um documento oficial com foto e o lanche para comer na hora da prova também é importante. Aparelhos eletrônicos serão guardados em um envelope e deve ficar debaixo da carteira durante as provas.

Comentários