Funai faz operação contra invasão de terra indígena e grilagem em RO; 2 pessoas são presas

Funai faz operação contra invasão de terra indígena e grilagem em RO; 2 pessoas são presas

Desde a última quinta-feira (24), equipes da Fundação Nacional do Índio (Funai) trabalham, em conjunto com vários parceiros, para combater invasões na terra indígena Uru-Eu-Wau-Wau, em Rondônia. Duas pessoas foram presas em flagrante e encaminhadas à Polícia Federal. Nessa fase, a ação se concentra nos município de Monte Negro e Campo Novo.

Conforme o chefe do serviço de gestão ambiental e territorial da Funai e que coordena a operação em campo, Hercules Silva Schiave, as invasões e as demarcações de terra seguem aumentando. As lideranças estariam enganando famílias com a falsa promessa de terra para vender lotes.

“Muitos fugiram. Ao perceberem a presença da gente, eles se retraem no meio da mata, o que dificulta a captura”, detalhou Hercules.

As invasões ocorrem em pelo menos nove pontos da terra indígena. Os próprios invasores teriam informado que mais de mil pessoas estão ocupando a área de proteção, onde vivem sete povos indígenas – três deles isolados.

De acordo com a apuração da Funai, as pessoas na posição de liderança dessas invasões estão ligadas a associações rurais, com objetivo de dar um “ar” de legalidade.

Os suspeitos ainda estariam enganando famílias mais humildes que residem não apenas em cidades que ficam nas proximidades da reserva, bem como em estados vizinhos, como o Mato Grosso, oferecendo áreas pertencentes à União como se fossem legais e por um preço abaixo do ofertado no mercado.

Ação se concentra, no momento, nos municípios de Monte Negro e Campo Novo. — Foto: Funai/Divulgação

Ação se concentra, no momento, nos municípios de Monte Negro e Campo Novo. — Foto: Funai/Divulgação

“Eles vendem lotes a R$ 1 mil e a pessoa paga uma taxa de R$ 100 por mês para eles. O que mais preocupa a gente é que essas associações colocam como um meio prioritário para as pessoas derrubarem certos hectares. Nisso, as devastações estão grandes”, complementou Hercules Silva Schiave.

A Funai pontua ainda que os invasores aproveitam uma demarcação feita pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na década de 1970, antes da área ser homologada como terra indígena para iludir os compradores dos lotes ilegais.

“Tem uma organização criminosa do outro lado vendendo terra indígena, desmatando, tirando madeira da terra indígena, mas por lá há nós. Nós temos Funai, Sesdec, Ibama, Polícia Federal e ICMBio, trabalhando junto para tentar combater. E nós vamos combater. Estamos combatendo”, concluiu o chefe do serviço de gestão ambiental da Funai.

Funai conta com o apoio de outras instituições e órgãos, como equipes do ICMBio. — Foto: Funai/Divulgação

Funai conta com o apoio de outras instituições e órgãos, como equipes do ICMBio. — Foto: Funai/Divulgação

Última invasão

A última invasão registrada na Uru-Eu-Wau-Wau foi no início deste mês. Na ocasião, pelo menos mil invasores tentaram tomar a aldeia, segundo a Associação de Defesa Etnoambiental.

As famílias indígenas que vivem na terra relataram que são ameaças por parte dos madeireiros e grileiros, que seguiam montando acampamentos e dividindo lotes de terras.

Cabanas de madeira foram achadas por órgãos competentes. — Foto: Divulgação/Kanindé

Cabanas de madeira foram achadas por órgãos competentes. — Foto: Divulgação/Kanindé

Equipes da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), junto com o ICMBio e a Polícia Militar encontraram, após um sobrevoo, cabanas de madeira onde os grileiros viviam dentro da terra. Os invasores chegaram a incluir uma placa de uma associação demarcando a área.

Por que preservar a Terra Indígena?

A terra indígena Uru-Eu-Wau-Wau tem 1.867.000 hectares de tamanho, o que equivale a 12 vezes o território da cidade de São Paulo ou 85% da extensão territorial do estado de Sergipe. A unidade de conservação, a maior terra indígena dentro de Rondônia, é rica em biodiversidade e abriga nascentes de importantes rios que cortam o estado.

Segundo ambientalistas, a produção de energia através de hidrelétricas poderia ser comprometida, tendo em vista, que o Parque Nacional de Pacaas Novos abriga, por exemplo, a nascente do rio Jamari que abastece a Usina Hidrelétrica de Samuel, em Porto Velho.

Além disso, os ambientalistas acreditam que, caso a invasão se intensifique dentro da região, a agricultura e o próprio agronegócio, motor econômico do estado, poderiam sofrer sérias consequências com a possível falta de água. Outro impacto seria a desestabilização climática na região, importante fator para o cultivo de algumas culturas específicas.

Por fim, a própria vida dos indígenas que habitam a região demarcada estaria em risco. Isso porque cerca de dez aldeias, vários povos nômades, além de três povos isolados habitam a região. A sobrevivência desses indígenas é dependente da agricultura, caça e extrativismo restringidos a eles.

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