Escalada de tensão aumenta nos EUA no 5º dia de protestos após a morte de George Floyd por policial

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Pelo 5º dia seguido, manifestantes voltaram a ocupar ruas de cidades em várias partes dos Estados Unidos em protestos contra o racismo após a morte do ex-segurança George Floyd durante uma abordagem policial em Minneapolis.

A escalada de tensão iniciada já na tarde de sábado (30) tomou proporções ainda maiores na madrugada deste domingo (31), quando os manifestantes desafiaram o toque de recolher imposto em pelo menos 7 cidades americanas, como Los Angeles e Minneapolis.

Manifestantes incendeiam caçamba de lixo em Washington, perto da Casa Branca, neste sábado (30) novo dia de protestos nos EUA — Foto: Evan Vucci/AP Photo

Manifestantes incendeiam caçamba de lixo em Washington, perto da Casa Branca, neste sábado (30) novo dia de protestos nos EUA — Foto: Evan Vucci/AP Photo

Na cidade onde Floyd foi sufocado por um policial e morreu, manifestantes atearam fogo em um prédio dos correios, e continuaram nas ruas, mesmo com a ordem do prefeito Jacob Frey para que voltassem para casa. A polícia fortemente armada reforçou a presença na cidade.

Por causa da violência, o presidente Donald Trump afirmou no Twitter que enviou militares para conter o vandalismo em Minneapolis, e criticou o prefeito democrata. “Se ela [Guarda Nacional] tivesse sido acionada há dois dias, não teria havido tantos estragos”.

Trump diz que Guarda Nacional foi liberada para atuar em Minneapolis
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Nas outras cidades, a maior parte dos atos ocorreu pacificamente, porém, houve novos episódios de confronto em cidades como Los Angeles, Chicago, Filadélfia e Nova York, onde os manifestantes deixaram claro que nem a pandemia do novo coronavírus os impediria de protestar contra o racismo.

Pequenos grupos incendiaram várias viaturas policiais em Manhattan. No Brooklyn, um grupo tentou interferir depois que policiais prenderam com truculência um manifestante negro. Em outros bairros de Nova York também houve conflito entre manifestantes e policiais.

Nos EUA, Pentágono informa que está em alerta para ajudar a manter a paz em Minneapolis
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Levantamento da agência Associated Press aponta que, desde o início dos protestos, 1.400 pessoas foram presas até o começo da madrugada deste domingo em 17 cidades dos EUA.

Policial monitora manifestação em Los Angeles após veículo policial ser incendiado neste sábado (30) — Foto: Ringo H.W. Chiu/AP Photo

Policial monitora manifestação em Los Angeles após veículo policial ser incendiado neste sábado (30) — Foto: Ringo H.W. Chiu/AP Photo

Durante a tarde e à noite, carros policiais também foram incendiados em cidades como Filadélfia e Miami. Em Chicago, um grupo entrou em confronto com a polícia que tentava conter o acesso dos manifestantes a prédios da cidade.

Em Los Angeles, a manifestação começou de forma pacífica, mas um grupo protagonizou episódios de vandalismo e até entrou em choque com manifestantes que eram contra a violência. O protesto se estendeu pela noite, com lojas saqueadas e destruídas e houve confronto. Policiais atiraram balas de borracha e bateram em manifestantes com cassetetes.

Manifestantes protestam contra morte de homem negro pelo 5º dia seguido nos EUA
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Por causa dos tumultos, governadores de estados como Geórgia, Kentucky, Ohio e Textas pediram reforço da Guarda Nacional. O Pentágono, inclusive, informou que está em alerta caso precise intervir nas manifestações em Minneapolis, cidade onde Floyd Morreu e que passou por atos violentos ao longo da semana.

Manifestantes protestam contra morte de George Floyd em Minneapolis neste sábado (30) — Foto: John Minchillo/AP Photo

Manifestantes protestam contra morte de George Floyd em Minneapolis neste sábado (30) — Foto: John Minchillo/AP Photo

Manifestantes são presos por bloquearem o trânsito em Nova York durante manifestações nos EUA neste sábado (30) contra morte de George Floyd — Foto: Mary Altaffer/AP Photo

Manifestantes são presos por bloquearem o trânsito em Nova York durante manifestações nos EUA neste sábado (30) contra morte de George Floyd — Foto: Mary Altaffer/AP Photo

Veja abaixo um resumo das manifestações nos EUA neste sábado (30)

  • Minneapolis, cidade onde os protestos começaram, voltou a ter violência após o início do toque de recolher
  • Policiais e manifestantes entraram em confronto em Los Angeles, na Califórnia
  • Uma repórter foi ferida em um conflito entre manifestantes e um grupo que jogava pedras nos manifestantes do protesto em Columbia, na Carolina do Sul
  • Houve prisões e tumulto também em Nova York e em Chicago
  • Na Filadélfia, manifestantes incendiaram uma viatura policial na área central da cidade
  • A prefeita de Atlanta decretou toque de recolher nesta noite após brigas e confrontos. Outras cidades também terão a medida
  • Na capital Washington, manifestantes fizeram barricadas perto da Casa Branca
5 fatos: entenda o caso Floyd

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George Floyd morreu em 25 de maio, depois de ficar por 8 minutos e 46 segundos com o pescoço preso pelo joelho de um policial branco Derek Chauvin em Minneapolis, no estado de Minnesota. Na sexta-feira (29), Chauvin foi detido e acusado de homicídio. Documentos obtidos pela rede americana CNN mostram que a fiança do policial foi estabelecida em US$ 500 mil (cerca de R$ 2,7 milhões).

Segundo a acusação contra Chauvin, ele manteve seu joelho sobre o pescoço de Floyd durante os 8 minutos e 46 segundos, sendo que nos últimos 2 minutos e 53 segundos o homem, negro, já estava inconsciente. A autópsia informou, entretanto, que não houve “nenhum achado físico que apoie o diagnóstico de asfixia traumática ou estrangulamento”.

No entanto, o efeito conjunto de George Floyd ter sido asfixiado mais suas condições de saúde pré-existentes e a possibilidade de haver substâncias intoxicantes em seu corpo “provavelmente contribuíram para sua morte”, de acordo com a acusação.

Histórico

Estados Unidos têm histórico de violência policial contra negros

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Os EUA registraram outros casos de mortes de pessoas negras causadas por policiais ou durante custódia da polícia nos últimos anos:

  • Em 2015, Freddie Gray, de 25 anos, morreu sob custódia da polícia em Baltimore, no estado de Maryland. A morte dele foi depois qualificada como homicídio, mas o caso acabou sendo arquivado.
  • Em 2014, Michael Brown, de 18 anos, morreu depois de ser baleado por um policial em Ferguson, no Missouri.
  • Em 2012, Trayvon Martin, de 17 anos, também morreu depois de ser baleado por um policial em Sanford, na Flórida.
  • Em 2009, Oscar Grant, de 22 anos, morreu depois de ser também baleado pela polícia em Oakland, na Califórnia, onde também houve protestos pela morte de Floyd.