Comitê Paralímpico lança manual para auxiliar professores na prática de esportes para crianças com e jovens com deficiência

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Iniciativa pretende aumentar a participação da atividade física dos jovens com alguma dificuldade

 

O desejo de aumentar a inclusão de pessoas com deficiência no esporte tem sido um dos principais objetivos dos gestores públicos brasileiros nos últimos meses. Segundo especialistas, atividades físicas variadas podem ajudar no desenvolvimento de habilidades e também na sociabilidade de crianças e jovens com algum tipo de deficiência, como mostram jornais e revistas como o jornalesportes.

 

Por isso, alinhar a prática frequente e a inclusão no esporte basearam a construção do Manual de Iniciação ao Esporte Paralímpico para professores que atuam com crianças e jovens com deficiência, seja em ambiente escolar, seja em clubes ou associações. O documento foi lançando em São Paulo no mês passado e promete ser um marco no fomento ao esporte de pessoas com deficiência e sua inclusão nas mais variadas competições.

 

De acordo com o Comitê Paralímpico Brasileiro, o documento conta com explicação das regras de cada modalidade, classificação esportiva, histórico, atividades lúdicas. As modalidades contempladas são: atletismo, bocha, futebol de cegos, goalball, judô, natação, tênis de mesa e vôlei sentado.

 

“A educação é importante para nós. Queremos criar de fato oportunidades. O CPB faz isso em duas frentes: capacitamos os professores e garantimos o acesso aos alunos de hoje. Essas ações do CPB são de extrema importância para as pessoas com deficiência do presente e do futuro”, discursou Mizael Conrado, bicampeão paralímpico de futebol de cinco (Atenas 2004 e Pequim 2008) e atual presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro.

 

Produzido pelos professores da Escola Paralímpica de Esportes do CPB e dirigido pela Academia Paralímpica, o Manual tem como objetivo reforçar a promoção e aumentar o fomento da prática esportiva para pessoas com deficiência. A ideia é que, com as regras explicadas de maneira mais fácil, a participação dos jovens e a inclusão social por meio do esporte, sobretudo do jovem com alguma deficiência, possa ser feita de maneira mais ampla.

 

“Agradeço a todos os professores da Escola Paralímpica que abraçaram este projeto. Muitas vezes, os professores das escolas não têm informação e não sabem como incluir a criança com deficiência nas atividades. O Manual tem o intuito de ajudar, orientar, esses professores”, completou Ramon Pereira, diretor de desenvolvimento esportivo.

 

Essa iniciativa também acontece como esteira do sucesso do Brasil nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, quando a delegação nacional teve um ótimo resultado. O Brasil fez sua melhor campanha com 72 medalhas, sendo 22 de ouro, 20 de prata e 30 de bronze, que lhe rendeu a sétima posição no megaevento (atrás de China, Grã-Bretanha, Comitê Paralímpico Russo, EUA, Holanda e Ucrânia).

 

O time paralímpico brasileiro em Tóqui contou com 259 atletas (incluindo guias, calheiros, goleiros e timoneiro), sendo 163 homens e 96 mulheres, além de comissão técnica, médica e administrativa, totalizando 435 pessoas. Jamais uma missão brasileira em Jogos Paralímpicos no exterior teve tamanha proporção.

 

As 22 medalhas de ouro superaram as 21 dos jogos de Londres 2012, uma marca que já era considerada histórica. Aliás, foi em Tóquio que o Brasil chegou a sua 100ª medalha de ouro na história dos Jogos Paralímpicos.

 

Boa parte desse sucesso acontece por causa dos investimentos do governo federal iniciados há mais de uma década com programas de incentivo, como o Bolsa Atleta. Ele funciona como uma forma de fomentar e auxiliar financeiramente os atletas que disputam competições olímpicas e precisam de apoio para treinos, viagens, alimentação, entre outras coisas.

 

“O Programa Bolsa Atleta é fundamental para o desenvolvimento do esporte brasileiro. Se não fosse pelo Bolsa Atleta, os resultados seriam outros. O Bolsa Atleta tem uma importância muito grande para o que estamos vendo hoje e no que vimos em campeonatos anteriores porque é ele que oferece condições para que o atleta possa se desenvolver”, disse Mizael Conrado.

 

Para ter uma noção da importância do programa de fomento, das 22 medalhas de ouro obtidas em Tóquio entre os atletas paralímpicos, 20 delas foram alcançadas por esportistas do Bolsa Atleta, sendo 18 de integrantes da categoria Pódio. E das 20 medalhas de prata, 18 são de integrantes do Bolsa Atleta, assim como 100% dos 30 bronzes obtidos.