‘Que pague na cadeia’, diz irmão de taxista morto após colisão em Rondônia

‘Que pague na cadeia’, diz irmão de taxista morto após colisão em Rondônia

O irmão do taxista Emerson Colares dos Santos, 30 anos, morto após ser atingido por outro carro na madrugada de domingo (10) em Vilhena (RO), diz que a família está revoltada com o motorista que causou o acidente. De acordo com a Polícia Militar (PM), o condutor suspeito, Dhione Marangoni, apresentava sinais de embriaguez, no entanto, se recusou a realizar o teste do bafômetro, foi preso e acabou sendo liberado sem pagar fiança. “Quero que ele pague na cadeia pelo que fez com meu irmão”, diz  Herlisson Colores dos Santos, de 32 anos.

Ao G1, Herlisson conta que o irmão trabalha como taxista há um ano. Na madrugada de domingo, após encerrar o plantão, o taxista estava a caminho da rodoviária para buscar a filha de um ano e a mãe dela, que viajavam de Sinop (MT) para uma visita em Vilhena. “Ele estava com muitas saudades da filha. Espero que a que a justiça seja feita e que esse rapaz não saia impune”, enfatiza.

O irmão relembra da dor da familia ao saber o motorista do outro carro foi liberado sem fiança da delegacia. “Se tem lei, porque ele estava dirigindo embriagado? Mas a lei só funciona para ladrão de galinha, não funciona para filho de papai. Que ele seja condenado e pague na cadeia pelo que fez”, conclui emocionado. A vítima era casado e tem outro filho, de 10 anos.

Embriaguez
Conforme a ocorrência, o acidente aconteceu por volta das 1h20. No momento do registro, a PM fez um auto de infração de trânsito, que autuou o motorista Dhione por falta de licenciamento do veículo e por dirigir sobre o efeito de álcool. O carro e a Carteira Nacional de Habilitação foram recolhidos.

O frente de um dos carros ficou totalmente destruída no acidente.  (Foto: Carlos Mont Serrate – Rota Policial News)A frente do carro do taxista ficou totalmente destruída (Foto: Carlos Mont Serrate/ Rota Policial News)

Juntamente com o auto de infração, a PM confeccionou um termo de constatação de que o motorista estava sob influência do álcool, onde afirma que o Dhione apresentava odor de álcool no hálito, agressividade, exaltação, ironia, e fala alterada.

O suspeito negou a realizar o bafômetro e foi encaminhado para exame clínico com um médico legista, por volta das 4h30 da manhã. O resultado então deu negativo para embriaguez.

Questionado sobre a demora em apresentar o suspeito à Delegacia de Polícia Civil, a PM informou que o atraso aconteceu em virtude de procedimentos comuns, como o aguardo e acompanhamento da perícia e confecção da documentação do caso.

Outro lado
O advogado  do motorista suspeito de ter invadido a preferencia, Felipe Jaquier, alega que o acidente aconteceu próximo da casa do cliente e que ele teria saído do local para ir à residência telefonar e pedir socorro. “Na hora do acidente, ele pegou o telefone para ligar para os bombeiros, mas estava sem bateria. Como estava a duas quadras da casa dele, pediu para que a namorada ficasse lá e foi telefonar, momento que foi detido por um policial”, diz.

A defesa também sustenta que Dhione não estava embriagado. O casal estaria vindo de uma lanchonete e não teria ultrapassado a preferencial. “Ele parou no local, não avistou o carro e iniciou o cruzamento, quando sentiu a colisão. Ele não sabe dizer se o veículo, eventualmente estava vindo de luzes desligadas”, justifica.

Segundo o advogado, o que salvou o casal foram os airbags do veículo, ressaltando que a vítima estava em alta velocidade. “Estão tentando criar um monstro, chamando de playboy assassino, mas isso não é verdade. Ele ficou em choque. Ele não estava embriagado e o médico constatou isso”, enfatizou.

Investigação
Como o exame clínico deu resultado negativo para embriaguez, não houve flagrante, nem fiança, e Dhione foi liberado. Sobre a suposta falta de socorro, por ele ter fugido, a Polícia Civil entendeu que a passageira do rapaz ficou no local e foi socorrida juntamente com a vítima. “Não tivemos uma fuga definitiva do local do crime”, explica o delegado responsável pelo caso, Núbio Lopes de Oliveira.

O condutor se apresentou na manhã desta segunda-feira (11), acompanhado pela passageira e por um advogado. Segundo Oliveira, um inquérito policial foi instaurado, e Dhione pode responder pelo crime de homicídio culposo na direção de veículo automotor.

“Vamos aguardar o laudo pericial, mas também está sendo apurado a possibilidade dele estar embriagado no momento do acidente. O importante é a investigação criminal apurar a verdade real dos fatos de forma imparcial, e de acordo com a lei, e isso será alcançado”, concluiu.

Hospital Regional de Vilhena (Foto: Reprodução/TV Vilhena)Passageira que estava no carro foi levada ao Hospital Regional de Vilhena (Foto: Reprodução/TV Vilhena)

Acidente
Segundo o boletim de ocorrências, a colisão ocorreu por volta das 1h20, quando o veículo de Emerson trafegava pela Rua Liliana Gonzaga, sentido BR-364, e foi atingido pelo automóvel de Dhione, no cruzamento com a Avenida 34, sentido BR-174, que teria avançado pela preferencial.

A vítima chegou a ser socorrida e levada para o Hospital Regional, mas não resistiu aos ferimentos. Uma passageira, que estava no automóvel de Dhione, também foi levada para o Pronto Socorro, com várias escoriações pelo corpo, onde recebeu atendimento médico, e foi liberada.

Conforme a ocorrência, Dhione sofreu escoriações em diversas parte do corpo, e evadiu-se do local do fato a pé, mas no momento da fuga, foi acompanhado por um policial que estava de folga e o deteve.