Italianos visitam Porto Velho para estudar projeto com 96 detentos

Italianos visitam Porto Velho para estudar projeto com 96 detentos

dsc_0034Um grupo de 15 italianos veio a Porto Velho pela terceira vez para estudar os métodos utilizados na Associação Cultural e de Desenvolvimento do Apenado e Egresso (Acuda). As visitas foram realizadas durante esta semana. O objetivo é promover um intercâmbio com a Itália sobre as práticas realizadas na capital de Rondônia. Ao todo, 96 reeducandos participam do projeto. Eles são do regime fechado. Há traficantes de drogas, estupradores, pedófilos e homicidas. Os detentos participam de terapias alternativas como massagens, banho de argila e até meditação. Em 15 anos de projeto, apenas seis presos tentaram fugir.

O grupo foi organizado pelo terapeuta italiano e pesquisador, Antônio Ferrara, que acredita que as técnicas utilizadas no projeto Acuda tem muito a ensinar ao seu país de origem. “Assim como o meu sonho, os sonhos dos outros pesquisadores é implantar os tipos de projetos realizados na Acuda em todo o mundo, pois todo mundo necessita dessa paz”, explicou Ferrara, que também é resposnável pelo intercâmbio.

Durante a tarde de quarta-feira (3), os apenados que participam do projeto e o grupo de italianos participaram de uma terapia denominada Constelação Familiar Sistêmica na qual o terapeuta solicita informação ao apenado sobre fatos relacionados à família. Durante a terapia, o terapeuta tenta buscar junto ao paciente a causa do sofrimento causado por um membro da família.

Reeducandos participam de terapia Constelação Familiar Sistêmica (Foto: Hosana Morais/G1)Reeducandos participam de terapia Constelação Familiar Sistêmica (Foto: Hosana Morais/G1)

Antes, na tarde de terça-feira (2), os apenados realizaram massagens no grupo de italianos, aprendidas no projeto. A massagem aplicada foi indiana e com óleos. Para o diretor da Acuda, Rogério Araujo, o diferencial do projeto é o modo como os apenados são tratados. “Como o preso tem muita dificuldade de se relacionar com o agente, quando ele começa a participar do projeto, percebe uma maneira alternativa de cumprir a sua pena, já que a cada três dias reduzem um dia em sua punição”, esclareceu Rogério.

O apenado que prefere não se identificar, acredita que essa forma alternativa o tem feito repensar em seu crime. “Fui preso por tráfico de drogas e pouco depois descobrir o projeto. Pedi que um dos meus companheiros de cela me inscrevesse e,  a partir daí, iniciei o tratamento. Nisso, já se passaram mais de três anos”, disse.