Em 2015, Hospital de Base realizou quase 60 transplantes de córnea em pacientes de Rondônia e estados vizinhos

Em 2015, Hospital de Base realizou quase 60 transplantes de córnea em pacientes de Rondônia e estados vizinhos

Dados do setor de estatísticas da Central de Transplantes de Rondônia apontam que, de abril de 2014 a janeiro deste ano, foram realizados 120 transplantes de córneas em pacientes de todo o Estado. Deste total, 58 foram realizadas em 2015. Receberam os órgãos pacientes de Porto Velho, Vilhena, Cacoal, Ji-Paraná, Jaru, Rolim de Moura, Machadinho do Oeste, Ariquemes, Guajará-Mirim, Nova Mamoré e Ouro Preto do Oeste. Entram na lista, também, pessoas dos estados do Mato Grosso, Acre e Amazonas.

De acordo com Edcléia Gonçalves, coordenadora do programa, a procura faz parte do grande conceito que a equipe de Rondônia, lotada no Hospital de Base Ary Pinheiro – referência em atendimento de alta complexidade no Estado -, vem adquirindo desde a implantação e o credenciamento da Central de Transplantes junto ao Ministério da Saúde (MS).

Segundo Edcléia Gonçalves, em 2015, 29 famílias autorizaram a doação de córneas. Ela explica que todas as pessoas que falecem podem doar as córneas, exceto em casos de infecções graves, pois não precisam estar em morte encefálica, podem doar após a parada cardíaca. “Isso aumenta nosso potencial de doação, no entanto, muitas famílias recusam doar, mas para que fossem realizados todos esses transplantes, foi necessário vir muitas córneas de fora do estado para que alguns rondonienses voltassem a enxergar”, afirma.

De acordo com Edcléia Gonçalves, a Central de Transplantes de Rondônia recebeu córneas dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Ceará e Paraíba. Todas essas córneas são distribuídas nacionalmente pela Central Nacional de Transplantes via Sistema Informatizado da Lista Única, gerida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A inclusão de Rondônia na lista nacional confirma a credibilidade junto ao governo federal.

 

“São vidas salvas com um gesto humano de doar. Vê um transplantado obtendo uma segunda chance, gratifica toda a família”. Edicléia Gonçalvez, coordenadora.

 

De acordo com a coordenação da Central de Transplantes, os números poderiam ser ainda maiores. Dados apontam que as recusas familiares ultrapassaram 80%, isso quer dizer que a cada 10 famílias entrevistadas, oito recusam doar órgãos de seus entes.

Edcléia afirma ser muito importante a divulgação de pessoas que receberam órgãos. Isso, segundo ela, vai sensibilizar as famílias para a importância de doar. “São vidas salvas com um gesto humano de doar. Vê um transplantado obtendo uma segunda chance, gratifica toda a família”, assegura.

REFERÊNCIA

O Hospital de Base de Porto Velho – referência no tratamento de alta complexidade em Rondônia – entrou, em maio de 2014, definitivamente para a lista das unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) mais modernas do Brasil, ao realizar a primeira cirurgia de transplante de rim no Estado.

A cirurgia só foi possível devido à melhora da infraestrutura do HB e ao avanço que a Central de Transplantes de Órgãos vem obtendo nos últimos anos. Desde 2011, foram realizadas 21 captações, num total de 42 rins e um fígado. Todo o trabalho realizado pela Central de Transplante tem a gerência do médico Alessandro Prudente, pioneiro na área em Rondônia, além da tutela da Santa Casa de Porto Alegre (RS), segundo maior centro de referência do Brasil em transplantes.

De acordo com o médico Alessandro Prudente, todo o processo e a cirurgia têm acompanhamento de especialistas da Santa Casa. Ele informou que a expectativa é muito grande e que o procedimento é fruto de um trabalho que começou em 2011, com a implantação da Central de Transplantes do HB.

Segundo Prudente, o credenciamento do HB pelo Ministério da Saúde (MS), que ocorreu em dezembro de 2013, dá aos profissionais o suporte para que a cirurgia seja realizada em Porto Velho, dentro dos mesmos padrões dos grandes centros. Antes, explica Prudente, o hospital fazia apenas a captação de órgãos, preparava pacientes e fazia encaminhamento para São Paulo ou Rio Branco, no Acre. Agora, com o reconhecimento do MS, todo procedimento passou a ser feito na Capital.

Dezenas de pessoas já foram beneficiadas com doações de rins em Porto Velho, através da Central de Transplantes mantida pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesau). O avanço é fruto de um trabalho pioneiro que iniciou em 2011 com a implantação da Organização para Procura de Órgão (OPO). Este trabalho é desenvolvido dentro do Hospital de Base, em Porto Velho.

De acordo com o diretor-geral do HB, Nilson Paniágua, o programa tem como uma de suas atribuições principais a busca de possíveis doadores entre pacientes que tenham – com diagnóstico médico altamente avançado – a confirmação de morte encefálica. Estes pacientes são doadores em potencial para que as pessoas que estão nas filas de espera possam sem contempladas com a doação.

Equipe comemora possibilidade de aprovar pesquisar

SEMINÁRIO

Um estudo sobre acondicionamento, resfriamento e transporte de órgãos destinados a transplantes foi apresentado por representantes de Rondônia no XV Congresso Brasileiro sobre Transplantes, realizado em agosto do ano passado em Gramado, no Rio Grande do Sul. Os trabalhos tiveram a supervisão do médico Alessandro Prudente, da Central de Transplantes do Hospital de Base Ary Pinheiro.

No total, 15 trabalhos científicos foram apresentados durante o congresso, com destaque para o que estuda transporte de órgãos destinados a transplantes. Com uma visão inovadora, o projeto, quando aprovado e posto em prática, vai revolucionar todas as técnicas conhecidas no Brasil e no mundo sobre resfriamento de órgãos e acondicionamento.

O estudo experimental, desenvolvido pela Liga Acadêmica de Doação e Transplante de Rondônia (Ladot), e supervisionada pelo médico Alessandro Prudente, da Central de Captação e Transplantes de Órgãos do Hospital de Base Ary Pinheiro – referência no tratamento de alta complexidade em Rondônia -, questiona quais temperaturas os rins são submetidos quando usadas técnicas diferentes de armazenamento.

O projeto, quando aprovado, vai mudar todos os conceitos de protocolos seguidos pela maioria dos países no mundo, afirma Luã Souza Cunha, acadêmico do curso de medicina da Universidade Federal de Rondônia (Unir), parceira da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) em projetos acadêmicos voltados para área médica.

O QUE É A LIGA

A Liga Acadêmica de Doação e Transplante de Rondônia (Ladot), é uma associação sem fins lucrativos que visa complementar a formação acadêmica em uma área específica através de atividades de extensão, pesquisa e ensino.

A Ladot possui reuniões semanais (administrativas e de ensino), aulas mensais sobre a temática do transplante e doação que se destinam aos acadêmicos da área da saúde de Porto Velho, campanhas de divulgação de doação e outras atividades de caráter semelhante.