Cinco fazendeiros de Rondônia figuram na lista negra do trabalho escravo

Cinco fazendeiros de Rondônia figuram na lista negra do trabalho escravo

Os dados são sigilosos, porque existe uma liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) proibindo o governo federal de divulgar o cadastro de empregadores flagrados com mão de obra escrava. É a chamada “lista suja”, que já se tornou pública algumas vezes. Nesta nova lista, elaborada entre dezembro de 2013 e dezembro de 2015, consta o nome de cinco fazendeiros de Rondônia, sendo que três são de Porto Velho.

scravoEm Rondônia o maior número de trabalhadores libertados em uma única propriedade, no entanto, ocorreu em Chupinguaia. Foram 29 pessoas encontradas em regime de trabalho análogo à escravidão. Em Nova União foram encontrados 13 trabalhadores em situação idêntica, em outra fazenda.

Em Porto Velho, foram libertados 18 trabalhadores, em três fazendas. Uma das propriedades está localizada já nas proximidades de Camutama, fronteira com o Amazonas. A maior parte era forçada a trabalhar em planos de manejo, no perigoso trabalho de derrubar árvores.

A estratégia mais utilizada por fazendeiros brasileiros para conseguir mão de obra análoga à escrava é atrair trabalhadores com uma boa proposta. No meio do mato e cercado por jagunços, o peão é obrigado a consumir mercadorias vendidas pelo patrão a um preço alto. No final do mês, o que ele tem para receber não paga a dívida, que ao longo do ano se transforma em uma bola de neve.

Como o trabalhador nunca consegue saldar a dívida, não tem como sair do local de trabalho. Tentar fugir dos jagunços no meio do mato é encarado como uma péssima alternativa. A fiscalização do Ministério do Trabalho já salvou muitos trabalhadores em situação semelhante.

Apesar de o STF ter proibido o governo federal de divulgar o cadastro de empregadores, o site amazonia.org.br conseguiu ter acesso à terceira edição da “Lista de Transparência sobre Trabalho Escravo Contemporâneo”. As informações foram obtidas através da Lei de Acesso à Informação.

O amazonia.org.br citou que as informações foram compiladas pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social a pedido da Repórter Brasil e do Instituto do Pacto Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (InPACTO), uma vez que a liminar concedida pelo Supremo em dezembro de 2014 segue em vigor.

 
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